23/02/2006, 14:31
Retro-review especial: homenagem 20 anos de Black Belt!
OBS: este tópico está sujeito a spoiler.
Saudações!
Gostaria de apresentar a todos um jogo que, acredito eu, era bastante conhecido pelos ex- proprietários de um dos mais bonitos consoles de sua geração: o Master System. Para mim, Black Belt deixou saudades, marcou minha época de adolescente por se tratar de um jogo totalmente diferente daqueles a que estava acostumado a jogar, principalmente porque na época todos nós já estávamos bastante saturados com os velhos jogos Atari. Já se passaram exatos 20 anos desde a época de seu lançamento. Por isso estou postando uma homenagem a esse ótimo jogo de artes marciais que eu tive o prazer de conhecer quando tinha cerca de 14 anos de idade. Boa leitura a todos!
***
Momento Retrospace.
A primeira vez que conheci Black Belt foi na casa de um vizinho nosso chamado Toni*. Na época tínhamos 13 ou 14 anos de idade, era portanto o ano de 1989-90. Esse vizinho tinha acabado de ganhar um Master System do seu pai. Naquela época o Atari2600 ainda reinava no nosso bairro, era o vídeo- game mais popular daquela época (mas já em vias de extinguir- se rapidamente porque o Master System dava muito o que falar!). Mal sabíamos portanto da capacidade do novo sistema em 8-bit, mas tínhamos muita curiosidade em conhecer. Apesar disso, aquela não foi a primeira vez que eu particularmente tinha conhecido o Master System com seu novo potencial. Alguns meses antes eu tive o memorável prazer de jogar pela 1ª vez o Master System na casa de outro amiguinho nosso. O primeiro jogo de Master System que conheci foi Choplifter. Na casa desse moleque jogamos ainda Great Soccer, Great Volleyball e Rocky. Jogos que marcaram minha memória por mostrar gráficos e som nunca antes vistos num jogo de vídeo- game.
No caso do Toni*, que tinha acabado de comprar seu novo console da Sega-TecToy, ele veio nos contar a novidade numa tarde de sábado. Estávamos preparando uma fogueira num campo aberto que tinha perto da vizinhança, e ele veio nos contar de forma direta e orgulhoso que tinha ganho, já fazia uma semana, um Master System, junto com os jogos Black Belt e Golden Axe. Na época eu provavelmente não conhecia ou tinha ouvido falar de nenhum desses jogos. Fomos à casa dele e vimos, com agradável surpresa, seu novo aparelho. Além dos ótimos Black Belt e Golden Axe - que ele já dominava bem, chegando no final dos dois jogos - ele nos apresentou os joguinhos que vinham na memória do Master System daquela época: "Labirinto", Duck Hunt (a gente usava a pistola Light Phaser para acertar os patos) e Hang On. Não posso deixar de fazer um breve comentário a cerca de Golden Axe, que era outro jogo soberbo naquele tempo. É sempre bom lembrar que, quando o Master System foi lançado, dava- se especial importância à quantidade de memória dos cartuchos. Os mais simples - como Black Belt - tinham 1 mega de memória (lembro que havia outro jogo que tinha uns 750kb de memória, que não me recordo o nome, era o jogo mais 'leve' do Master System em matéria de dados). Golden Axe portanto era tido como um dos "melhores" porque ostentava a "incrível" capacidade de 4 megas de memória no cartucho. Esse tipo de referência - quanto mais memória melhor - começou no Master System (me parece que no NES era algo secundário) e continuou até o SuperNES, e acabou perdendo força na era dos CD-Roms. Voltando ao assunto do tópico. O que chamava muito a atenção em Black Belt eram as concepções gráficas dos salões onde Riki enfrentava os chefes, feitos com detalhe e criatividade pelos criadores do game. Além disso, Black Belt tinha uma diversidade de adversários - não apenas os chefes, mas especialmente os vários subchefes presentes no game - com características bem peculiares, o que sem dúvida enriqueceu muito o jogo. Também chamava atenção o ótimo efeito de profundidade do campo, que se mostrava à medida que Riki caminhava, nas fases de campo. Esse efeito de profundidade ficou muito bom, dava um quê de mais "realismo" ao jogo. Toda a parte de animação dos personagens na tela, assim como o todo o colorido e os efeitos sonoros do jogo me impressionaram, e por isso, Black Belt tornou- se um dos primeiros jogos de Master System que marcaram minha juventude no mundo dos games, e o tornaram inesquecível.
***
Nome: Black Belt
Fabricante: Sega
Ano de lançamento: 1986
Sistema: Sega Master System
Plataforma: 8-bit
Tamanho: 1 mega de dados
Formato: cartucho
Dificuldade: média
Tempo médio para terminar o jogo: 35 min.
Black Belt era um ótimo jogo de caratê lançado para o sistema Master System em 1986. Possuía detalhes gráficos atraentes e inéditos, comparativamente superiores a Karateka, Karate Champ, Kung Fu Master, etc., outros games de artes marciais lançados na mesma época, e que exibiam estilos de jogo parecido. O forte de Black Belt estava sobretudo em sua jogabilidade, que era precisa. Isso favorecia ao jogador executar os golpes com exatidão, mas era preciso treino para executar tais golpes de forma certeira. O estilo do jogo, quase todo oriental, com lutadores bastante distintos na ação e aparência, e com o desenho de cenários feito com bastante capricho e criatividade, tornaram Black Belt um jogo único.
Em Black Belt, o jogador encarnava o lutador Riki, que teve a sua amante raptada por Wang. Riki enfrentava uma horda de inimigos que vinham de todos os lados. O jogo era composto de quatro fases de campo, onde o jogador devia enfrentar dezenas de inimigos liderados por subchefes, cada um com aparência, armas e estilo de luta bem distintos, o que trouxe bastante estilo ao jogo. No percurso, apareciam (de forma meio "non- sense", é verdade) alguns alimentos que passavam voando por sobre a cabeça de Riki, da direita para a esquerda. Eram os chamados "power- ups", que abasteciam a energia do jogador. As figuras representavam frutas e rolinhos de sushi. Também passava a letrinha "Riki", que dava força e invencibilidade ao jogador. No final de cada fase de campo, Riki adentrava em outra tela (boss stage), onde enfrentava os chefes de cada fase (chapter). Aqui a perspectiva mudava sensivelmente, colocando Riki e seu oponente em tamanho ligeiramente maior. No fim das lutas, Riki desfilava uma técnica especial, que consistia numa seqüência especial de golpes desferidos nos chefes de fase. Tais técnicas traziam o nome escrito em japonês e eram um dos pontos altos de Black Belt.
O estilo do jogo lembrava muito a de um típico jogo de fliperama, o que com certeza chamou a atenção quando se tornou conhecido entre os proprietários de Master System. Por muito tempo pensei se realmente existiu uma versão de Black Belt para arcade, mas no fim das contas parece que Black Belt foi apenas lançado uma vez para Master System, e não recebeu nenhuma continuação, pelo que eu saiba.
Gráficos.
Black Belt apresentava um trabalho gráfico muito bem aproveitado para um jogo de seu tamanho (1 mega): ao mesmo tempo atraente, dinâmico e bem colorido. Talvez tenha pesado a seu favor que o jogo tenha sido elaborado num ambiente 8-bit favorável nesses aspectos (Master System), pois os gráficos de Black Belt eram sensivelmente melhores em relação aos jogos lançados para outros sistemas, na mesma época.
Som.
Black Belt possuía aquele padrão sonoro típico dos jogos de Master System. Destaco as memoráveis músicas dos chefes de fase, a do Game Over, e a música dos créditos finais.
Jogabilidade - os golpes de Riki.
O jogador tinha à disposição os seguintes golpes:
- chute, apertando- se o botão 2
- soco, apertando- se o botão 1
- voadora, colocando o direcional da diagonal direita ou esquerda e o botão 2
- chute rasteiro, colocando o direcional para baixo junto com o botão 2
- soco baixo, colocando o direcional para baixo junto com o botão 1
Destaque para os dois tipos de saltos que Riki podia executar, exclusivos do jogo:
- salto normal, acionando o direcional para cima ou para as diagonais;
- super salto, que o jogador usava para conseguir pegar os "power- ups" e para mudar a estratégia de combate enquanto enfrentava seus oponentes. Para tanto, o jogador devia colocar o direcional para baixo antes de acionar o direcional para cima ou diagonais superiores.
Os chefes de fase.
Cada um dos chefes do jogo tinha características de luta e aparência bem distintas. Eram os seguintes:
Ryu - tinha como principais golpes chutes altos e socos. Seu estilo de luta consistia basicamente em ficar dando pequenos pulos para distrair o adversário.
Hawk - este lutador tinha como arma um pequeno bumerangue, e seu estilo de luta era basicamente ficar dando socos.
Gonta - era um incansável lutador de sumô que costumava dar trabalho a jogadores menos experientes. Apesar do tamanho avantajado, ele dava grandes saltos, era rápido nas investidas e seus golpes com a mão aberta eram bastante potentes.
Oni - um misterioso e intrigante oponente. Seu estilo de luta era quase perfeito, nenhum golpe mais sofisticado de Riki era capaz de derrubá-lo. Oni possuía apenas um ponto fraco, na qual o jogador deveria ter paciência para descobrir e derrotá- lo.
Rita - essa mulher loura e de aspecto masculinizado era perita em golpes com os braços e pernas, mas seu forte mesmo eram suas voadoras.
Wang - era o último boss do jogo, seu estilo de luta era bastante franco e aberto, ele tinha liberdade para dar grandes saltos com voadora. Além disso, ele também era forte no combate no solo, dando poderosos chutes e socos.
Ao fim do game, Wang aparentemente transformava- se numa pedra, e na tela seguinte, Riki encontrava finalmente a sua amante Kyoko, numa clássica e insequecível cena em que Riki a carrega nos braços e a leva de volta para casa.
***** *****
Curiosidades de Black Belt: o significado dos ideogramas exibidos no jogo.
- Riki em japonês significa força. É representado pelo ideograma que aparecia voando pela tela nas fases de campo e que dava invencibilidade ao personagem. "Riki" também pode ser lido como "Tikara", que denota o mesmo sentido de força, vigor, energia.
- Oni era um dos chefes mais difíceis do jogo. Oni (pronuncia- se "oní"), em japonês, significa fantasma, demônio.
- "Ryu" em japonês significa dragão.
- Na tela do chefe de fase Gonta, havia uma placa pendurada bem no meio do tatame com dois ideogramas dourados (veja a screenshot mais abaixo). Em japonês, esses ideogramas são lidos como "Konjou", que indica alguém "tenaz", "incansável".
- Quando Riki salvava sua amante Kyoko, na tela aparecia um ideograma no topo do quarto onde ela se encontrava. Esse caractere lê- se "Ai",que em japonês significa "amor", "afeição".
- O último ideograma do jogo que aparecia no canto inferior direito junto da tela vermelha, lê- se "Kan", que obviamente significa "fim". É o "The End" escrito em japonês.
- Os golpes especiais de Riki - chegamos a uma das partes mais interessantes do tópico. Quando o jogador vencia os chefes de cada fase, Riki exibia suas técnicas especiais. Cada um desses golpes tinha um nome específico, que era mostrado em japonês no momento da animação. Acredito que 95% dos ex- jogadores de Black Belt ficavam como eu: curiosos em saber o significado de cada um daqueles golpes. Aí estão eles:
1- TEKKEN SEISAI - esta técnica era usada quando Riki vencia Ryu, seu primeiro adversário. Era uma série de diversos socos desferidos na cabeça e no tronco do oponente. "Tekken" significa punhos de ferro, e "Seisai" significa combater.
http://img15.imgspot.com/u/06/48/11/Ryu1140281081.jpg
2- AKUTOU GEKIHA - era a técnica usada contra Hawk, o segundo boss do jogo. Consistia em uma seqüência de chutes que dilaceravam o oponente. "Geki" significa ataque, e "Ha" significa literalmente rasgar, despedaçar, quebrar. "Akutou" (Aku= ruim; Tou= gente) denota uma pessoa vil, um marginal (no jogo, Hawk aparecia como uma espécie de 'punk', lutando no topo de um prédio todo pichado, daí a conotação).
http://img15.imgspot.com/u/06/48/11/Hawk1140281247.jpg
3- TOUKON IPPATSU - quando Riki vencia Gonta, seu terceiro oponente, ele desferia "O Tiro do Espírito da Luta", que consistia em uma série de socos de mão aberta no tronco do oponente. "Tou" significa luta, guerra; "Kon" é o mesmo que espírito, alma; "Ippatsu" quer dizer, literalmente, "um tiro".
http://img15.imgspot.com/u/06/48/11/Gonta1140281313.jpg
4- *KAI MUYOU - essa técnica na verdade era feita com Riki dando apenas um soco mortal em Oni, fazendo-o simplesmente desaparecer, deixando apenas a máscara que cobre o rosto de Oni cair no chão. O interessante aqui era que o próprio jogador era quem dava esse último soco. Oni era um dos chefes mais difíceis do jogo. A tradução aproximada de *KAI MUYOU seria "Sem Necessidade de Perdão" ou "Sem Necessidade de Arrependimento". "Kai" significa arrependimento, remorso. E "Muyou" significa, literalmente, "sem necessidade". Eu não consegui localizar a escrita e o significado do primeiro ideograma, por isso coloquei o asterisco. Mesmo assim, dá para se ter uma idéia aproximada da tradução dessa técnica. Quem souber, por favor mandem uma resposta, ok?
http://img15.imgspot.com/u/06/48/11/Oni1140281359.jpg
5- KYOKU-I TAKURETSU- A tradução literal dessa técnica é "Intenção Extrema de Explodir e Arrebentar". Era a técnica usada contra Rita, a penúltima chefe do jogo, braço direito de Wang. Riki executava essa técnica dando uma série de múltiplos socos que mantinham Rita parada no ar, apanhando sem piedade. Era a técnica visualmente mais linda do jogo, na minha opinião. "Kyoku - I" significa "extrema intenção"; "Taku" significa explosão, e "Retsu" é o mesmo que quebrar, arrebentar.
http://img15.imgspot.com/u/06/48/11/Rita1140281404.jpg
***** *****
Prós de Black Belt
- Ótimos gráficos para a sua época e seu calibre (1 mega).
- Boa trilha sonora
- Ótima jogabilidade
- Estilo de jogo baseado nos arcades da época
Contras de Black Belt
- Infelizmente o jogo não trazia os créditos finais dos criadores do game.
Bem, espero que todos tenham gostado e sentido um pouco de nostalgia ao relembrar esse simples porém memorável jogo. E aos jogadores da nova geração, que não chegaram a conhecer esse jogo mas que curtem a história do vídeo-game através dos tempos, espero que tenham curtido também. Informações adicionais, sugestões e críticas são muito bem- vindas para enriquecer este tópico. Um abraço e até mais.
OBS: este tópico está sujeito a spoiler.
Saudações!
Gostaria de apresentar a todos um jogo que, acredito eu, era bastante conhecido pelos ex- proprietários de um dos mais bonitos consoles de sua geração: o Master System. Para mim, Black Belt deixou saudades, marcou minha época de adolescente por se tratar de um jogo totalmente diferente daqueles a que estava acostumado a jogar, principalmente porque na época todos nós já estávamos bastante saturados com os velhos jogos Atari. Já se passaram exatos 20 anos desde a época de seu lançamento. Por isso estou postando uma homenagem a esse ótimo jogo de artes marciais que eu tive o prazer de conhecer quando tinha cerca de 14 anos de idade. Boa leitura a todos!
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Momento Retrospace.
A primeira vez que conheci Black Belt foi na casa de um vizinho nosso chamado Toni*. Na época tínhamos 13 ou 14 anos de idade, era portanto o ano de 1989-90. Esse vizinho tinha acabado de ganhar um Master System do seu pai. Naquela época o Atari2600 ainda reinava no nosso bairro, era o vídeo- game mais popular daquela época (mas já em vias de extinguir- se rapidamente porque o Master System dava muito o que falar!). Mal sabíamos portanto da capacidade do novo sistema em 8-bit, mas tínhamos muita curiosidade em conhecer. Apesar disso, aquela não foi a primeira vez que eu particularmente tinha conhecido o Master System com seu novo potencial. Alguns meses antes eu tive o memorável prazer de jogar pela 1ª vez o Master System na casa de outro amiguinho nosso. O primeiro jogo de Master System que conheci foi Choplifter. Na casa desse moleque jogamos ainda Great Soccer, Great Volleyball e Rocky. Jogos que marcaram minha memória por mostrar gráficos e som nunca antes vistos num jogo de vídeo- game.
No caso do Toni*, que tinha acabado de comprar seu novo console da Sega-TecToy, ele veio nos contar a novidade numa tarde de sábado. Estávamos preparando uma fogueira num campo aberto que tinha perto da vizinhança, e ele veio nos contar de forma direta e orgulhoso que tinha ganho, já fazia uma semana, um Master System, junto com os jogos Black Belt e Golden Axe. Na época eu provavelmente não conhecia ou tinha ouvido falar de nenhum desses jogos. Fomos à casa dele e vimos, com agradável surpresa, seu novo aparelho. Além dos ótimos Black Belt e Golden Axe - que ele já dominava bem, chegando no final dos dois jogos - ele nos apresentou os joguinhos que vinham na memória do Master System daquela época: "Labirinto", Duck Hunt (a gente usava a pistola Light Phaser para acertar os patos) e Hang On. Não posso deixar de fazer um breve comentário a cerca de Golden Axe, que era outro jogo soberbo naquele tempo. É sempre bom lembrar que, quando o Master System foi lançado, dava- se especial importância à quantidade de memória dos cartuchos. Os mais simples - como Black Belt - tinham 1 mega de memória (lembro que havia outro jogo que tinha uns 750kb de memória, que não me recordo o nome, era o jogo mais 'leve' do Master System em matéria de dados). Golden Axe portanto era tido como um dos "melhores" porque ostentava a "incrível" capacidade de 4 megas de memória no cartucho. Esse tipo de referência - quanto mais memória melhor - começou no Master System (me parece que no NES era algo secundário) e continuou até o SuperNES, e acabou perdendo força na era dos CD-Roms. Voltando ao assunto do tópico. O que chamava muito a atenção em Black Belt eram as concepções gráficas dos salões onde Riki enfrentava os chefes, feitos com detalhe e criatividade pelos criadores do game. Além disso, Black Belt tinha uma diversidade de adversários - não apenas os chefes, mas especialmente os vários subchefes presentes no game - com características bem peculiares, o que sem dúvida enriqueceu muito o jogo. Também chamava atenção o ótimo efeito de profundidade do campo, que se mostrava à medida que Riki caminhava, nas fases de campo. Esse efeito de profundidade ficou muito bom, dava um quê de mais "realismo" ao jogo. Toda a parte de animação dos personagens na tela, assim como o todo o colorido e os efeitos sonoros do jogo me impressionaram, e por isso, Black Belt tornou- se um dos primeiros jogos de Master System que marcaram minha juventude no mundo dos games, e o tornaram inesquecível.
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Nome: Black Belt
Fabricante: Sega
Ano de lançamento: 1986
Sistema: Sega Master System
Plataforma: 8-bit
Tamanho: 1 mega de dados
Formato: cartucho
Dificuldade: média
Tempo médio para terminar o jogo: 35 min.
Black Belt era um ótimo jogo de caratê lançado para o sistema Master System em 1986. Possuía detalhes gráficos atraentes e inéditos, comparativamente superiores a Karateka, Karate Champ, Kung Fu Master, etc., outros games de artes marciais lançados na mesma época, e que exibiam estilos de jogo parecido. O forte de Black Belt estava sobretudo em sua jogabilidade, que era precisa. Isso favorecia ao jogador executar os golpes com exatidão, mas era preciso treino para executar tais golpes de forma certeira. O estilo do jogo, quase todo oriental, com lutadores bastante distintos na ação e aparência, e com o desenho de cenários feito com bastante capricho e criatividade, tornaram Black Belt um jogo único.
Em Black Belt, o jogador encarnava o lutador Riki, que teve a sua amante raptada por Wang. Riki enfrentava uma horda de inimigos que vinham de todos os lados. O jogo era composto de quatro fases de campo, onde o jogador devia enfrentar dezenas de inimigos liderados por subchefes, cada um com aparência, armas e estilo de luta bem distintos, o que trouxe bastante estilo ao jogo. No percurso, apareciam (de forma meio "non- sense", é verdade) alguns alimentos que passavam voando por sobre a cabeça de Riki, da direita para a esquerda. Eram os chamados "power- ups", que abasteciam a energia do jogador. As figuras representavam frutas e rolinhos de sushi. Também passava a letrinha "Riki", que dava força e invencibilidade ao jogador. No final de cada fase de campo, Riki adentrava em outra tela (boss stage), onde enfrentava os chefes de cada fase (chapter). Aqui a perspectiva mudava sensivelmente, colocando Riki e seu oponente em tamanho ligeiramente maior. No fim das lutas, Riki desfilava uma técnica especial, que consistia numa seqüência especial de golpes desferidos nos chefes de fase. Tais técnicas traziam o nome escrito em japonês e eram um dos pontos altos de Black Belt.
O estilo do jogo lembrava muito a de um típico jogo de fliperama, o que com certeza chamou a atenção quando se tornou conhecido entre os proprietários de Master System. Por muito tempo pensei se realmente existiu uma versão de Black Belt para arcade, mas no fim das contas parece que Black Belt foi apenas lançado uma vez para Master System, e não recebeu nenhuma continuação, pelo que eu saiba.
Gráficos.
Black Belt apresentava um trabalho gráfico muito bem aproveitado para um jogo de seu tamanho (1 mega): ao mesmo tempo atraente, dinâmico e bem colorido. Talvez tenha pesado a seu favor que o jogo tenha sido elaborado num ambiente 8-bit favorável nesses aspectos (Master System), pois os gráficos de Black Belt eram sensivelmente melhores em relação aos jogos lançados para outros sistemas, na mesma época.
Som.
Black Belt possuía aquele padrão sonoro típico dos jogos de Master System. Destaco as memoráveis músicas dos chefes de fase, a do Game Over, e a música dos créditos finais.
Jogabilidade - os golpes de Riki.
O jogador tinha à disposição os seguintes golpes:
- chute, apertando- se o botão 2
- soco, apertando- se o botão 1
- voadora, colocando o direcional da diagonal direita ou esquerda e o botão 2
- chute rasteiro, colocando o direcional para baixo junto com o botão 2
- soco baixo, colocando o direcional para baixo junto com o botão 1
Destaque para os dois tipos de saltos que Riki podia executar, exclusivos do jogo:
- salto normal, acionando o direcional para cima ou para as diagonais;
- super salto, que o jogador usava para conseguir pegar os "power- ups" e para mudar a estratégia de combate enquanto enfrentava seus oponentes. Para tanto, o jogador devia colocar o direcional para baixo antes de acionar o direcional para cima ou diagonais superiores.
Os chefes de fase.
Cada um dos chefes do jogo tinha características de luta e aparência bem distintas. Eram os seguintes:
Ryu - tinha como principais golpes chutes altos e socos. Seu estilo de luta consistia basicamente em ficar dando pequenos pulos para distrair o adversário.
Hawk - este lutador tinha como arma um pequeno bumerangue, e seu estilo de luta era basicamente ficar dando socos.
Gonta - era um incansável lutador de sumô que costumava dar trabalho a jogadores menos experientes. Apesar do tamanho avantajado, ele dava grandes saltos, era rápido nas investidas e seus golpes com a mão aberta eram bastante potentes.
Oni - um misterioso e intrigante oponente. Seu estilo de luta era quase perfeito, nenhum golpe mais sofisticado de Riki era capaz de derrubá-lo. Oni possuía apenas um ponto fraco, na qual o jogador deveria ter paciência para descobrir e derrotá- lo.
Rita - essa mulher loura e de aspecto masculinizado era perita em golpes com os braços e pernas, mas seu forte mesmo eram suas voadoras.
Wang - era o último boss do jogo, seu estilo de luta era bastante franco e aberto, ele tinha liberdade para dar grandes saltos com voadora. Além disso, ele também era forte no combate no solo, dando poderosos chutes e socos.
Ao fim do game, Wang aparentemente transformava- se numa pedra, e na tela seguinte, Riki encontrava finalmente a sua amante Kyoko, numa clássica e insequecível cena em que Riki a carrega nos braços e a leva de volta para casa.
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Curiosidades de Black Belt: o significado dos ideogramas exibidos no jogo.
- Riki em japonês significa força. É representado pelo ideograma que aparecia voando pela tela nas fases de campo e que dava invencibilidade ao personagem. "Riki" também pode ser lido como "Tikara", que denota o mesmo sentido de força, vigor, energia.
- Oni era um dos chefes mais difíceis do jogo. Oni (pronuncia- se "oní"), em japonês, significa fantasma, demônio.
- "Ryu" em japonês significa dragão.
- Na tela do chefe de fase Gonta, havia uma placa pendurada bem no meio do tatame com dois ideogramas dourados (veja a screenshot mais abaixo). Em japonês, esses ideogramas são lidos como "Konjou", que indica alguém "tenaz", "incansável".
- Quando Riki salvava sua amante Kyoko, na tela aparecia um ideograma no topo do quarto onde ela se encontrava. Esse caractere lê- se "Ai",que em japonês significa "amor", "afeição".
- O último ideograma do jogo que aparecia no canto inferior direito junto da tela vermelha, lê- se "Kan", que obviamente significa "fim". É o "The End" escrito em japonês.
- Os golpes especiais de Riki - chegamos a uma das partes mais interessantes do tópico. Quando o jogador vencia os chefes de cada fase, Riki exibia suas técnicas especiais. Cada um desses golpes tinha um nome específico, que era mostrado em japonês no momento da animação. Acredito que 95% dos ex- jogadores de Black Belt ficavam como eu: curiosos em saber o significado de cada um daqueles golpes. Aí estão eles:
1- TEKKEN SEISAI - esta técnica era usada quando Riki vencia Ryu, seu primeiro adversário. Era uma série de diversos socos desferidos na cabeça e no tronco do oponente. "Tekken" significa punhos de ferro, e "Seisai" significa combater.
http://img15.imgspot.com/u/06/48/11/Ryu1140281081.jpg
2- AKUTOU GEKIHA - era a técnica usada contra Hawk, o segundo boss do jogo. Consistia em uma seqüência de chutes que dilaceravam o oponente. "Geki" significa ataque, e "Ha" significa literalmente rasgar, despedaçar, quebrar. "Akutou" (Aku= ruim; Tou= gente) denota uma pessoa vil, um marginal (no jogo, Hawk aparecia como uma espécie de 'punk', lutando no topo de um prédio todo pichado, daí a conotação).
http://img15.imgspot.com/u/06/48/11/Hawk1140281247.jpg
3- TOUKON IPPATSU - quando Riki vencia Gonta, seu terceiro oponente, ele desferia "O Tiro do Espírito da Luta", que consistia em uma série de socos de mão aberta no tronco do oponente. "Tou" significa luta, guerra; "Kon" é o mesmo que espírito, alma; "Ippatsu" quer dizer, literalmente, "um tiro".
http://img15.imgspot.com/u/06/48/11/Gonta1140281313.jpg
4- *KAI MUYOU - essa técnica na verdade era feita com Riki dando apenas um soco mortal em Oni, fazendo-o simplesmente desaparecer, deixando apenas a máscara que cobre o rosto de Oni cair no chão. O interessante aqui era que o próprio jogador era quem dava esse último soco. Oni era um dos chefes mais difíceis do jogo. A tradução aproximada de *KAI MUYOU seria "Sem Necessidade de Perdão" ou "Sem Necessidade de Arrependimento". "Kai" significa arrependimento, remorso. E "Muyou" significa, literalmente, "sem necessidade". Eu não consegui localizar a escrita e o significado do primeiro ideograma, por isso coloquei o asterisco. Mesmo assim, dá para se ter uma idéia aproximada da tradução dessa técnica. Quem souber, por favor mandem uma resposta, ok?
http://img15.imgspot.com/u/06/48/11/Oni1140281359.jpg
5- KYOKU-I TAKURETSU- A tradução literal dessa técnica é "Intenção Extrema de Explodir e Arrebentar". Era a técnica usada contra Rita, a penúltima chefe do jogo, braço direito de Wang. Riki executava essa técnica dando uma série de múltiplos socos que mantinham Rita parada no ar, apanhando sem piedade. Era a técnica visualmente mais linda do jogo, na minha opinião. "Kyoku - I" significa "extrema intenção"; "Taku" significa explosão, e "Retsu" é o mesmo que quebrar, arrebentar.
http://img15.imgspot.com/u/06/48/11/Rita1140281404.jpg
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Prós de Black Belt
- Ótimos gráficos para a sua época e seu calibre (1 mega).
- Boa trilha sonora
- Ótima jogabilidade
- Estilo de jogo baseado nos arcades da época
Contras de Black Belt
- Infelizmente o jogo não trazia os créditos finais dos criadores do game.
Bem, espero que todos tenham gostado e sentido um pouco de nostalgia ao relembrar esse simples porém memorável jogo. E aos jogadores da nova geração, que não chegaram a conhecer esse jogo mas que curtem a história do vídeo-game através dos tempos, espero que tenham curtido também. Informações adicionais, sugestões e críticas são muito bem- vindas para enriquecer este tópico. Um abraço e até mais.