devita07
26/01/2009, 13:58
Segue a análise do livro Assombro, de Chuck Palahniuk, retirada do Fucked Up Blog ( http://fuckedblogup.blogspot.com )
"Esta é minha primeiríssima análise literária. Se bem que “análise” pode soar formal demais. Os espaços e quaisquer informações a respeito de tudo relacionado ao mundo da leitura serão, aqui e por mim, criados para puro desencargo de consciência de quem os escreve. Tentarei sempre, e ao máximo, elevar os textos a rigorosos resultados de boa pesquisa antes de meter a boca falando o que penso sobre isto ou aquilo.
Mas, de fato, o intuito é simplesmente o de despejar uma leva coerente de curiosidades e algumas de minhas humildes opiniões.
E vai:
O primeiro contato que tive com a visão de Chuck Palahniuk foi ao assistir o filme “Fight Club” nos cinemas. Tinha por volta de doze anos de idade e parece que já alguma dose de anarquia bem humorada no coração. Saí da sessão com um frio na barriga inexplicável. Sem muita certeza do que havia acabado de testemunhar, de que mensagem aquelas duas horas e vinte teriam me passado.
A impressão foi boa e, por um tempo, morou num canto bem escuro da minha cabeça. Anos depois, com uma personalidade sarcástica meio que já formada, revi o filme e me identifiquei, não com a crítica social que o representa, mas com o humor utilizado para passar essa mensagem. Isso me fez cavar um pouco mais a fundo e descobrir que a coisa toda era baseada no livro de um gringo maluco.
Palahniuk é americano e jornalista. Viveu uma vida conturbada em termos gerais e tem um certo passado rebelde por seus anos como integrante, enquanto adulto, da Cacophony Society, uma espécie de entidade anarquista espiritual que surgiu nos Estados Unidos por volta de 1986, nas regiões de São Francisco, Los Angeles e Portland.
Escreveu Fight Club (livro pelo qual atingiu a tão cobiçada posição de celebridade literária) e outros título famosos como Lullaby e Survivor. Seu trabalho geralmente conta sobre protagonistas marginalizados que vivem situações extremas de auto-destruição, depreciação e amoralidade.
Assombro (título original Haunted) não sai da esfera característica de narrativa de Chuck. Nem por isso deixa de ser inédito em sua própria linguagem. O livro conta a história de supostos escritores sem sucesso que se acreditam vítimas da sociedade letárgica por não terem realizado, até então, suas obras-primas. Por esse motivo, respondem a um anúncio espalhado pela cidade:
“RETIRO DE ESCRITORES – ABANDONE SUA VIDA POR TRÊS MESES – Simplesmente desapareça. Deixe para trás tudo que o impede de criar sua obra-prima. Emprego, família, lar, obrigações e distrações... Conviva com pessoas que pensam como você, num ambiente que permite total imersão no trabalho. Alimentação e hospedagem incluídas para aqueles que se classificarem. Aposte uma pequena fração de sua vida na chance de criar um novo futuro como poeta, escritor ou roteirista profissional. Antes que seja tarde demais, viva a vida com que você sempre sonhou. Vagas muito limitadas.”
Tudo começa com uma cidade ao amanhecer sendo percorrida por um ônibus. Passa pelas casas de cada um dos “potencias escritores” inscritos para o três meses de retiro.
São vinte e poucos e chegam sem demora a um lugar muito diferente do que esperavam. Afastado da civilização, o que montou-se com um “quê” de resort na cabeça dos hóspedes demonstrou-se um tenebroso teatro abandonado, sujo, escuro e grande o suficiente para todos. Era, na verdade, um cativeiro; haviam sido seqüestradores pelo organizador da colônia.
A história intercala capítulos de um imaginado presente, com todos presos no teatro, lidando com o decorrer dos três meses e crescente insanidade, com capítulos de poemas e contos narrados por cada um dos seqüestrados que, apesar de tudo, ainda buscam sua grande obra.
A partir daí, Chuck lança um mundo de críticas violentas banhadas em humor negro de primeira linha. É classificado por muitos críticos como um escritor de estilo niilista e, por Assombro, pude perceber a tendência com uma certa obviedade. A cada capítulo o autor tenta superar-se em episódios imorais, nojentos, bizarros e violentos, como que numa busca incessante para trazer certa sensação de choque ao leitor. O engraçado e enaltecedor é que a alma do livro vem exatamente daí.
A crítica é clara e grita contra o tão paspalho homem moderno que vive em busca de reconhecimento vazio pela cultura da televisão e da idolatria supérflua. A história narra um reality show doentio e faz analogia às lendárias sessões de criação do famigerado círculo de Lorde Byron (acredita-se que grande responsável por quase toda linguagem de horror de nossos tempos).
Pessoalmente, me mijei de rir em mais da metade do livro, mas confesso que recebi apreensivo as mensagens mais apavorantes. Gostei de ficar impressionado e devorei a leitura orgulhoso. Incomodei-me (mas muito pouco) pelo fato de que, mesmo quando escreveu os contos incorporando personagens diferentes, Chuck não conseguiu sair de seu estilo duma maneira convincente. Eram todos “Chucks” contando alguma coisa. A variação aparece, mesmo, nos roteiros. Só que isso nada tira do crédito pelo conjunto, é mero detalhe.
Pra quem curte o lado negro das coisas contado duma maneira sarcástica. Pra quem não se incomoda com um certo nonsense moderno, também.
Recomendado.
Fucking A."
Fonte: http://fuckedblogup.blogspot.com
"Esta é minha primeiríssima análise literária. Se bem que “análise” pode soar formal demais. Os espaços e quaisquer informações a respeito de tudo relacionado ao mundo da leitura serão, aqui e por mim, criados para puro desencargo de consciência de quem os escreve. Tentarei sempre, e ao máximo, elevar os textos a rigorosos resultados de boa pesquisa antes de meter a boca falando o que penso sobre isto ou aquilo.
Mas, de fato, o intuito é simplesmente o de despejar uma leva coerente de curiosidades e algumas de minhas humildes opiniões.
E vai:
O primeiro contato que tive com a visão de Chuck Palahniuk foi ao assistir o filme “Fight Club” nos cinemas. Tinha por volta de doze anos de idade e parece que já alguma dose de anarquia bem humorada no coração. Saí da sessão com um frio na barriga inexplicável. Sem muita certeza do que havia acabado de testemunhar, de que mensagem aquelas duas horas e vinte teriam me passado.
A impressão foi boa e, por um tempo, morou num canto bem escuro da minha cabeça. Anos depois, com uma personalidade sarcástica meio que já formada, revi o filme e me identifiquei, não com a crítica social que o representa, mas com o humor utilizado para passar essa mensagem. Isso me fez cavar um pouco mais a fundo e descobrir que a coisa toda era baseada no livro de um gringo maluco.
Palahniuk é americano e jornalista. Viveu uma vida conturbada em termos gerais e tem um certo passado rebelde por seus anos como integrante, enquanto adulto, da Cacophony Society, uma espécie de entidade anarquista espiritual que surgiu nos Estados Unidos por volta de 1986, nas regiões de São Francisco, Los Angeles e Portland.
Escreveu Fight Club (livro pelo qual atingiu a tão cobiçada posição de celebridade literária) e outros título famosos como Lullaby e Survivor. Seu trabalho geralmente conta sobre protagonistas marginalizados que vivem situações extremas de auto-destruição, depreciação e amoralidade.
Assombro (título original Haunted) não sai da esfera característica de narrativa de Chuck. Nem por isso deixa de ser inédito em sua própria linguagem. O livro conta a história de supostos escritores sem sucesso que se acreditam vítimas da sociedade letárgica por não terem realizado, até então, suas obras-primas. Por esse motivo, respondem a um anúncio espalhado pela cidade:
“RETIRO DE ESCRITORES – ABANDONE SUA VIDA POR TRÊS MESES – Simplesmente desapareça. Deixe para trás tudo que o impede de criar sua obra-prima. Emprego, família, lar, obrigações e distrações... Conviva com pessoas que pensam como você, num ambiente que permite total imersão no trabalho. Alimentação e hospedagem incluídas para aqueles que se classificarem. Aposte uma pequena fração de sua vida na chance de criar um novo futuro como poeta, escritor ou roteirista profissional. Antes que seja tarde demais, viva a vida com que você sempre sonhou. Vagas muito limitadas.”
Tudo começa com uma cidade ao amanhecer sendo percorrida por um ônibus. Passa pelas casas de cada um dos “potencias escritores” inscritos para o três meses de retiro.
São vinte e poucos e chegam sem demora a um lugar muito diferente do que esperavam. Afastado da civilização, o que montou-se com um “quê” de resort na cabeça dos hóspedes demonstrou-se um tenebroso teatro abandonado, sujo, escuro e grande o suficiente para todos. Era, na verdade, um cativeiro; haviam sido seqüestradores pelo organizador da colônia.
A história intercala capítulos de um imaginado presente, com todos presos no teatro, lidando com o decorrer dos três meses e crescente insanidade, com capítulos de poemas e contos narrados por cada um dos seqüestrados que, apesar de tudo, ainda buscam sua grande obra.
A partir daí, Chuck lança um mundo de críticas violentas banhadas em humor negro de primeira linha. É classificado por muitos críticos como um escritor de estilo niilista e, por Assombro, pude perceber a tendência com uma certa obviedade. A cada capítulo o autor tenta superar-se em episódios imorais, nojentos, bizarros e violentos, como que numa busca incessante para trazer certa sensação de choque ao leitor. O engraçado e enaltecedor é que a alma do livro vem exatamente daí.
A crítica é clara e grita contra o tão paspalho homem moderno que vive em busca de reconhecimento vazio pela cultura da televisão e da idolatria supérflua. A história narra um reality show doentio e faz analogia às lendárias sessões de criação do famigerado círculo de Lorde Byron (acredita-se que grande responsável por quase toda linguagem de horror de nossos tempos).
Pessoalmente, me mijei de rir em mais da metade do livro, mas confesso que recebi apreensivo as mensagens mais apavorantes. Gostei de ficar impressionado e devorei a leitura orgulhoso. Incomodei-me (mas muito pouco) pelo fato de que, mesmo quando escreveu os contos incorporando personagens diferentes, Chuck não conseguiu sair de seu estilo duma maneira convincente. Eram todos “Chucks” contando alguma coisa. A variação aparece, mesmo, nos roteiros. Só que isso nada tira do crédito pelo conjunto, é mero detalhe.
Pra quem curte o lado negro das coisas contado duma maneira sarcástica. Pra quem não se incomoda com um certo nonsense moderno, também.
Recomendado.
Fucking A."
Fonte: http://fuckedblogup.blogspot.com