04/06/2006, 12:43
http://img353.imageshack.us/img353/9168/logoretroanalise6ci.png
Há jogos são verdadeiras obras de arte. Há inúmeros e seu valor artístico
é indiscutível. Logo se tornam clássicos e referências para os novos
jogos. Neste tópico vamos tratar de um caso um pouco diferente: um
jogo baseado numa obra de arte, Fantasia.
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_000.jpg
Antes da avaliarmos o jogo, para podermos analisar o que se esperava do
game e entender por que chamou tanta atenção, um breve resumo sobre
o que representou FANTASIA na trajetória do estúdio de Walt Disney.
O FILME
Fantasia surgiu quando a Disney começou a produzir O Aprendiz de
Feiticeiro como um curta independente. O resultado ficou tão caro, que o
estúdio decidiu seguir o conselho do maestro Leopold Stokowski e criar
uma antologia de curtas, para recuperar os gastos originais. Contava com
a participação também da da Philadelphia Orchestra. Após sucessos
anteriores, Walt Disney sonhava alto com esse longa metragem, que
considerava na ocasião uma obra-prima de seus estúdios.
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fil_001.jpg
Fantasia se inicia com uma breve seção introdutória na qual Deems
Taylor fixa a cena; enquanto “Toccata And Fugue In D Minor” do
compositor Johann Sebastian Bach começa. Nesse início houve
muita experimentação visual com ilustrações bastante inventivas e
modernas. Essa parte, executada com extremo talento, mas muito
abstrata e ousada, não foi aproveitada no game.
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fil_002.jpg
O próximo segmento se trata do famoso balé "The Nutcracker Suite" de
Tchaikovsky. O diretor Samuel Armstrong faz um competente trabalho
interligando todas as partes individuais do balé em apenas uma peça,
com cada uma delas simbolizando uma estação do ano. Tecnicamente,
essa parte é brilhantemente executada e impressiona ainda hoje pelo
fato de ter sido produzido sem os atuais recursos de computação gráfica.
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fil_003.jpg
O terceiro número é o menos audacioso, “O Aprendiz de Feiticeiro” de
Paul Dukas. Não por coincidência, é a mais famosa e querida das peças
entre o público, sendo que foi o pontapé inicial para a produção de todo o
resto do filme. Este é um dos únicos segmentos que retrata exatamente a
história idealizada pelo compositor ao escrever a música. Vemos Mickey
no papel do feiticeiro afobado que quer aprender seu ofício antes da hora.
Ele rouba o chapéu mágico de seu mestre e dá vida a uma vassoura
para carregar água em seu lugar. Como resultado de sua preguiça e
atrevimento, o camundongo cria algo que não pode controlar.
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/mickey.gif
Fred Moore é o diretor de animação do Mickey neste segmento. É incrível
que tenha conseguido convencer Disney a alterar sua personagem mais
preciosa. Mickey ganhou olhos muito mais expressivos e um corpo com
formas mais flexíveis justamente para interpretar o aprendiz.
A música de “O Aprendiz de Feiticeiro” foi a única não gravada pela
orquestra da Filadélfia. Ela foi gravada por uma orquestra formada para
uma gravação no antigo Pathe Studios, em Culver City, Los Angeles, por
volta de 1938, 1939. Todas as outras composições foram gravadas pela
orquestra da Filadélfia, na Filadélfia.
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fil_004.jpg
Dos músicos cujas composições foram usadas em FANTASIA, o único vivo
na época era Igor Stravinsky, cuja criação "The Rite of Spring" é vista na
tela como uma explicação científica da evolução da vida na Terra, desde
os primeiros seres microscópicos aos gigantes dinossauros. Stravinsky,
que na época disse que a interpretação de Disney era exatamente o que
ele havia imaginado, anos depois declarou uma certa descontentação com
o desenho, mas isso provavelmente se deve às alterações feitas na
música sem sua permissão.
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fil_005.jpg
O segundo ato é iniciado com sexta composição de Bethoven, "The
Pastoral Simphony", que se trata do segmento mais gracioso. Com seu
cenário mitológico, o Monte Olimpo, o elenco de personagens é composto
de figuras fantasiosas, como cavalos alados que cortam o céu, sátiros que
saltam pelos campos, cupidos e ainda centauros. Curiosamente, a
música originalmente escolhida para a peça era "Cydalise" de Pyerné,
mas Walt resolveu mudar para Bethoven quando considerou que não
fornecia o suporte suficiente para desenvolver a história. Por isso
nem sempre a movimentação das personagens pareça sincronizada
com a música de fundo.
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fil_006.jpg
Após tantas músicas dramáticas, os primeiros bocejos já poderiam
começar a surgir. E no momento propício para agitar e preparar todos
para o final que se aproximava, "Dance of the Hours" de Ponchielli entra
em cena. É uma sátira muito divertida ao balé clássico que representa as
horas do dia por um grupo de animais - avestruzes, hipopótamos,
elefantes e jacarés. O resultado é hilariante. Um hipopótamo fêmea
num tutu insignificante faz piruetas como se não pesasse uma grama.
Dança das Horas tornou-se um clássico da animação cômica.
Visualmente, o segmento deve muito ao estilo decorativo e ilustrado
dos anos 30. Os fundos são extremamente elegantes e aprazíveis (Art
Riley, Claude Coats e Ray Huffine levam o crédito junto com os layouts
de Ken Anderson e Hugh Hennesy), combinando formas de curvas suaves
com um inovador uso de cores.
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fil_007.jpg
O grande final de FANTASIA vem na forma da união de duas peças que
completam uma à outra. A primeira é "Night on Bald Montain" de Modeste
Mussorgsky, ilustrada pelo demônio Chernabog que vive no alto da
montanha, e na noite de Hallowen vem atormentar as almas do vilarejo.
Esse poderoso desenho se afirma ainda nos dias de hoje como a mais
sinistra e adulta obra já produzida pelo estúdio. A maravilhosa animação
de Chernabog por Vladimir Tytla ajuda ainda mais a complementar a
apresentação.
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fil_008.jpg
Interligado com o "Bald Montain", vem a belíssima "Ave Maria" de
Franz Schubert, que fecha o filme com os intrincados design de Kay
Nielsen e um dos mais extensivos usos da câmera multiplanos.
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Mas Fantasia não fez o sucesso esperado, pelo contrário. Surpreendeu a
platéia, que esperava algum conto de fadas similar à Branca de Neve. O
carismático camundongo aparecia poucos minutos no filme, frustrando os
fãs. Enfim, o público não estava preparado para assistir à Fantasia,
desejava outra coisa e, pode-se até arriscar a dizer que, em seu
lançamento, Fantasia foi um fiasco. Disney ficou muito magoado com
o público e jurou não fazer mais arte, mas apenas tentar ganhar
dinheiro. Algum tempo depois Bambi era lançado (Argh!)
============================================
Agora vamos que interessa:
O JOGO
Fantasia é um jogo side-scrolling produzido pela Sega da América e
Infogrames, baseado no hoje popular musical da Disney. No game, de
single player, o jogador controla o Mickey Mouse durante várias fases na
tentativa de coletar as várias notas musicais que de alguma forma
sumiram. Cada nível ou obstáculo foi baseado na animação original.
Pode-se derrotar os inimigos saltando sobre eles ou, após coletar as
bolhas mágicas, usar um disparo mágico. Em cada nível é necessário
coletar um determinado número de notas mágicas escondidas para que
o musical de Fantasia ocorra.
Fantasia
Developer: Infogrames
Publisher(: Sega
Release date: 1991
Genre: Platform game
Mode: Single player
Platform: Mega Drive/Genesis
Vamos ver as referências da animação na concepção das fases e
cores do game:
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_001.jpg
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_002.jpg
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_003.jpg
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_004.jpg
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_005.jpg
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_010.jpg
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_012.jpg
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_013.jpg
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_016.jpg
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CRÍTICA
Ao contrário dos tradicionais jogos com personagens Disney para Mega
Drive, Fantasia não foi bem sucedido. Talvez até tenha gráficos e sons
superiores, em alguns momentos, mas a jogabilidade deixa a desejar.
Apesar de ser um game para Mega Drive, reconhecido por seu
processador veloz, Fantasia é lento. Há um atraso sempre que Mickey
salta ou dispara os projéteis mágicos. Freqüentemente, no que seria um
pulo simples a atingir os adversários que meramente seguem seu
caminho, sem qualquer inteligência ou agressividade, Mickey esbarra no
inimigo e pronto: energia perdida ou morte de um modo bem frustrante.
Os sons do jogo têm a força das composições dos grandes mestres da
música. Talvez pudessem ser um pouco melhor trabalhadas, mas os 16Mb
do cartucho não seriam suficientes para muito mais do que foi feito. À
parte a trilha sonora brilhante, mas um pouco simplificada, não há sons
extras que chamem a atenção. Quase não se ouve outra coisa que não as
músicas.
Os cenários são baseados na animação do cinema, mas com certeza não
contam com a mesma inspiração. Chegam, às vezes, a dar a impressão de
que o jogo é mal acabado. Só percebemos que certas áreas da tela são
buracos que causam danos quando caímos ali. E algumas plataformas em
que precisamos subir se confundem com as cores e detalhes do
background. Mas na medida do possível, percebe-se uma preocupação
em manter a linguagem visual dos atos, suas cores e estilo.
Como agravante está a dificuldade do game, imprópria para o público
desse tipo de jogo. Mickey atrai uma legião de fãs, boa parte crianças,
que logo se frustram com a fragilidade e limitações de movimento do
camundongo, e que não têm paciência para ficar recomeçando o jogo
trezentas vezes, após tomar um game over.
Um pouco como o filme original, Fantasia é um produto de que
esperamos uma coisa e que nos apresenta outra. A animação do
cinema conseguiu se redimir com o tempo, provando que era um
material de absoluta qualidade e que foi incompreendida em seu
tempo. O game Fantasia parece que não fará esse caminho, embora
apareça em diversas listas de melhores jogos de Mega. Com certeza,
amado ou odiado, é um jogo marcante.
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ELOGIOS EXAGERADOS:
As revistas, na época, eram especialistas em gerar expectativas demais
sobre jogos comuns. Vejam que fantasia é destaque de capa, com os
dizeres "O Reino encantado em seu videogame" ! Como dizem por aí,
seria cômico, se não fosse trágico!
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/Supergame2.jpg
A capa peguei do interessante projeto GAME SCANS postado
pelo João Luís no tópico
http://outerspace.terra.com.br/phpbb/viewtopic.php?t=3548&highlight=projeto
Já tive essa revista. Enche o jogo de elogios, com o
único porém da dificuldade, que admite ser elevada.
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DICAS:
Retiradas de: http://portaldosgames.click21.com.br/
Vidas Infinitas:
No mundo 1-2, pegue uma nota musical em cima de uma plataforma e
ganhe uma vida. Vã para a frente até achar uma arca. Pule dentro dela e
volte para o começo da fase. Repita tudo de novo até conseguir nove
vidas.
Vassoura generosa:
No Castelo, pule na primeira vassoura quando ela estiver no canto
esquerdo para fazer aparecer três cristais, duas estrelas e um livro.
Vida e Magia:
No mundo da Terra, entre na primeira caverna. Depois, ande até a
primeira plataforma móvel para fazer aparecer uma nota musical. Pule
na rocha em frente para surgir um livro. Continue em frente para pegar
uma segunda nota. Mate Mickey e repita a operação.
Há jogos são verdadeiras obras de arte. Há inúmeros e seu valor artístico
é indiscutível. Logo se tornam clássicos e referências para os novos
jogos. Neste tópico vamos tratar de um caso um pouco diferente: um
jogo baseado numa obra de arte, Fantasia.
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_000.jpg
Antes da avaliarmos o jogo, para podermos analisar o que se esperava do
game e entender por que chamou tanta atenção, um breve resumo sobre
o que representou FANTASIA na trajetória do estúdio de Walt Disney.
O FILME
Fantasia surgiu quando a Disney começou a produzir O Aprendiz de
Feiticeiro como um curta independente. O resultado ficou tão caro, que o
estúdio decidiu seguir o conselho do maestro Leopold Stokowski e criar
uma antologia de curtas, para recuperar os gastos originais. Contava com
a participação também da da Philadelphia Orchestra. Após sucessos
anteriores, Walt Disney sonhava alto com esse longa metragem, que
considerava na ocasião uma obra-prima de seus estúdios.
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fil_001.jpg
Fantasia se inicia com uma breve seção introdutória na qual Deems
Taylor fixa a cena; enquanto “Toccata And Fugue In D Minor” do
compositor Johann Sebastian Bach começa. Nesse início houve
muita experimentação visual com ilustrações bastante inventivas e
modernas. Essa parte, executada com extremo talento, mas muito
abstrata e ousada, não foi aproveitada no game.
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fil_002.jpg
O próximo segmento se trata do famoso balé "The Nutcracker Suite" de
Tchaikovsky. O diretor Samuel Armstrong faz um competente trabalho
interligando todas as partes individuais do balé em apenas uma peça,
com cada uma delas simbolizando uma estação do ano. Tecnicamente,
essa parte é brilhantemente executada e impressiona ainda hoje pelo
fato de ter sido produzido sem os atuais recursos de computação gráfica.
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fil_003.jpg
O terceiro número é o menos audacioso, “O Aprendiz de Feiticeiro” de
Paul Dukas. Não por coincidência, é a mais famosa e querida das peças
entre o público, sendo que foi o pontapé inicial para a produção de todo o
resto do filme. Este é um dos únicos segmentos que retrata exatamente a
história idealizada pelo compositor ao escrever a música. Vemos Mickey
no papel do feiticeiro afobado que quer aprender seu ofício antes da hora.
Ele rouba o chapéu mágico de seu mestre e dá vida a uma vassoura
para carregar água em seu lugar. Como resultado de sua preguiça e
atrevimento, o camundongo cria algo que não pode controlar.
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/mickey.gif
Fred Moore é o diretor de animação do Mickey neste segmento. É incrível
que tenha conseguido convencer Disney a alterar sua personagem mais
preciosa. Mickey ganhou olhos muito mais expressivos e um corpo com
formas mais flexíveis justamente para interpretar o aprendiz.
A música de “O Aprendiz de Feiticeiro” foi a única não gravada pela
orquestra da Filadélfia. Ela foi gravada por uma orquestra formada para
uma gravação no antigo Pathe Studios, em Culver City, Los Angeles, por
volta de 1938, 1939. Todas as outras composições foram gravadas pela
orquestra da Filadélfia, na Filadélfia.
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Dos músicos cujas composições foram usadas em FANTASIA, o único vivo
na época era Igor Stravinsky, cuja criação "The Rite of Spring" é vista na
tela como uma explicação científica da evolução da vida na Terra, desde
os primeiros seres microscópicos aos gigantes dinossauros. Stravinsky,
que na época disse que a interpretação de Disney era exatamente o que
ele havia imaginado, anos depois declarou uma certa descontentação com
o desenho, mas isso provavelmente se deve às alterações feitas na
música sem sua permissão.
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fil_005.jpg
O segundo ato é iniciado com sexta composição de Bethoven, "The
Pastoral Simphony", que se trata do segmento mais gracioso. Com seu
cenário mitológico, o Monte Olimpo, o elenco de personagens é composto
de figuras fantasiosas, como cavalos alados que cortam o céu, sátiros que
saltam pelos campos, cupidos e ainda centauros. Curiosamente, a
música originalmente escolhida para a peça era "Cydalise" de Pyerné,
mas Walt resolveu mudar para Bethoven quando considerou que não
fornecia o suporte suficiente para desenvolver a história. Por isso
nem sempre a movimentação das personagens pareça sincronizada
com a música de fundo.
============================================
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fil_006.jpg
Após tantas músicas dramáticas, os primeiros bocejos já poderiam
começar a surgir. E no momento propício para agitar e preparar todos
para o final que se aproximava, "Dance of the Hours" de Ponchielli entra
em cena. É uma sátira muito divertida ao balé clássico que representa as
horas do dia por um grupo de animais - avestruzes, hipopótamos,
elefantes e jacarés. O resultado é hilariante. Um hipopótamo fêmea
num tutu insignificante faz piruetas como se não pesasse uma grama.
Dança das Horas tornou-se um clássico da animação cômica.
Visualmente, o segmento deve muito ao estilo decorativo e ilustrado
dos anos 30. Os fundos são extremamente elegantes e aprazíveis (Art
Riley, Claude Coats e Ray Huffine levam o crédito junto com os layouts
de Ken Anderson e Hugh Hennesy), combinando formas de curvas suaves
com um inovador uso de cores.
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fil_007.jpg
O grande final de FANTASIA vem na forma da união de duas peças que
completam uma à outra. A primeira é "Night on Bald Montain" de Modeste
Mussorgsky, ilustrada pelo demônio Chernabog que vive no alto da
montanha, e na noite de Hallowen vem atormentar as almas do vilarejo.
Esse poderoso desenho se afirma ainda nos dias de hoje como a mais
sinistra e adulta obra já produzida pelo estúdio. A maravilhosa animação
de Chernabog por Vladimir Tytla ajuda ainda mais a complementar a
apresentação.
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fil_008.jpg
Interligado com o "Bald Montain", vem a belíssima "Ave Maria" de
Franz Schubert, que fecha o filme com os intrincados design de Kay
Nielsen e um dos mais extensivos usos da câmera multiplanos.
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Mas Fantasia não fez o sucesso esperado, pelo contrário. Surpreendeu a
platéia, que esperava algum conto de fadas similar à Branca de Neve. O
carismático camundongo aparecia poucos minutos no filme, frustrando os
fãs. Enfim, o público não estava preparado para assistir à Fantasia,
desejava outra coisa e, pode-se até arriscar a dizer que, em seu
lançamento, Fantasia foi um fiasco. Disney ficou muito magoado com
o público e jurou não fazer mais arte, mas apenas tentar ganhar
dinheiro. Algum tempo depois Bambi era lançado (Argh!)
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Agora vamos que interessa:
O JOGO
Fantasia é um jogo side-scrolling produzido pela Sega da América e
Infogrames, baseado no hoje popular musical da Disney. No game, de
single player, o jogador controla o Mickey Mouse durante várias fases na
tentativa de coletar as várias notas musicais que de alguma forma
sumiram. Cada nível ou obstáculo foi baseado na animação original.
Pode-se derrotar os inimigos saltando sobre eles ou, após coletar as
bolhas mágicas, usar um disparo mágico. Em cada nível é necessário
coletar um determinado número de notas mágicas escondidas para que
o musical de Fantasia ocorra.
Fantasia
Developer: Infogrames
Publisher(: Sega
Release date: 1991
Genre: Platform game
Mode: Single player
Platform: Mega Drive/Genesis
Vamos ver as referências da animação na concepção das fases e
cores do game:
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_001.jpg
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_002.jpg
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_003.jpg
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_010.jpg
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http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/fantasia_fig_016.jpg
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CRÍTICA
Ao contrário dos tradicionais jogos com personagens Disney para Mega
Drive, Fantasia não foi bem sucedido. Talvez até tenha gráficos e sons
superiores, em alguns momentos, mas a jogabilidade deixa a desejar.
Apesar de ser um game para Mega Drive, reconhecido por seu
processador veloz, Fantasia é lento. Há um atraso sempre que Mickey
salta ou dispara os projéteis mágicos. Freqüentemente, no que seria um
pulo simples a atingir os adversários que meramente seguem seu
caminho, sem qualquer inteligência ou agressividade, Mickey esbarra no
inimigo e pronto: energia perdida ou morte de um modo bem frustrante.
Os sons do jogo têm a força das composições dos grandes mestres da
música. Talvez pudessem ser um pouco melhor trabalhadas, mas os 16Mb
do cartucho não seriam suficientes para muito mais do que foi feito. À
parte a trilha sonora brilhante, mas um pouco simplificada, não há sons
extras que chamem a atenção. Quase não se ouve outra coisa que não as
músicas.
Os cenários são baseados na animação do cinema, mas com certeza não
contam com a mesma inspiração. Chegam, às vezes, a dar a impressão de
que o jogo é mal acabado. Só percebemos que certas áreas da tela são
buracos que causam danos quando caímos ali. E algumas plataformas em
que precisamos subir se confundem com as cores e detalhes do
background. Mas na medida do possível, percebe-se uma preocupação
em manter a linguagem visual dos atos, suas cores e estilo.
Como agravante está a dificuldade do game, imprópria para o público
desse tipo de jogo. Mickey atrai uma legião de fãs, boa parte crianças,
que logo se frustram com a fragilidade e limitações de movimento do
camundongo, e que não têm paciência para ficar recomeçando o jogo
trezentas vezes, após tomar um game over.
Um pouco como o filme original, Fantasia é um produto de que
esperamos uma coisa e que nos apresenta outra. A animação do
cinema conseguiu se redimir com o tempo, provando que era um
material de absoluta qualidade e que foi incompreendida em seu
tempo. O game Fantasia parece que não fará esse caminho, embora
apareça em diversas listas de melhores jogos de Mega. Com certeza,
amado ou odiado, é um jogo marcante.
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ELOGIOS EXAGERADOS:
As revistas, na época, eram especialistas em gerar expectativas demais
sobre jogos comuns. Vejam que fantasia é destaque de capa, com os
dizeres "O Reino encantado em seu videogame" ! Como dizem por aí,
seria cômico, se não fosse trágico!
http://edi-nei.sites.uol.com.br/outerspace/Supergame2.jpg
A capa peguei do interessante projeto GAME SCANS postado
pelo João Luís no tópico
http://outerspace.terra.com.br/phpbb/viewtopic.php?t=3548&highlight=projeto
Já tive essa revista. Enche o jogo de elogios, com o
único porém da dificuldade, que admite ser elevada.
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DICAS:
Retiradas de: http://portaldosgames.click21.com.br/
Vidas Infinitas:
No mundo 1-2, pegue uma nota musical em cima de uma plataforma e
ganhe uma vida. Vã para a frente até achar uma arca. Pule dentro dela e
volte para o começo da fase. Repita tudo de novo até conseguir nove
vidas.
Vassoura generosa:
No Castelo, pule na primeira vassoura quando ela estiver no canto
esquerdo para fazer aparecer três cristais, duas estrelas e um livro.
Vida e Magia:
No mundo da Terra, entre na primeira caverna. Depois, ande até a
primeira plataforma móvel para fazer aparecer uma nota musical. Pule
na rocha em frente para surgir um livro. Continue em frente para pegar
uma segunda nota. Mate Mickey e repita a operação.