Oi, galera.
Este post tem como o maior objetivo alertar todos aqueles que estão almejando comprar um notebook para jogos ou já tem um e estão com um pequeno problema:
superaquecimento.
Com o boom das vendas de notebooks hoje no Brasil é bem de se esperar que muitos daqui do fórum estejam de olho em pelo menos um modelo, seja, para trabalho ou para diversão. O maior problema em lidar com notebooks é que, apesar de não passarem de desktops encolhidos, são bem diferentes em matéria de hardware em relação aos desktops.
Minha história começa em Julho de 2006, quando fui para uma excursão na Europa. O último país que visitei foi a Alemanha e lá, aproveitei para ver o que sempre vejo quando viajo para o exterior: uma loja de eletrônicos. Já nessa época eu tinha uma grande vontade de ter um notebook, porém, os preços ainda continuavam altos e o hardware era muito, mas muito fraco.
Pois bem. Entrei na loja e, depois de namorar uma infinidade de ótimos notebooks por bons preços, acabei escolhendo um modelo da ASUS. O Z92T, que é a versão européia do americano A6T. A configuração é a seguinte:
- AMD Turion 64 X2 1,6ghz
- 2GB DDR2 533
- Geforce Go7600 256mb DDR2
Basicamente isto, que é o que conta para o problema. Custou-me cerca de 1200 euros. Uma bagatela pelo que estava encontrando aqui.
Assim que comprei o notebook notei uma coisa: esquentava muito. Mas achei que era normal. Afinal, estava saindo de um
desktop Pentium IV mononucleado com 2GB de RAM DDR400 para um
notebook binucleado com RAM tipo DDR2. Achava a coisa mais normal do mundo.
Só tinha um pequeno problema: não conseguia jogar quase nada. Não que os jogos não rodassem. Rodavam sim. Instalavam, rodava e ia pro jogo numa boa. O ponto é que, por causa do calor excessivo, todos os jogos apresentavam
slowdowns. Não confundam
LAG com
SLOWDOWN:
LAG é o atraso de informação em uma conexão de um ponto A para o ponto B.
SLOWDOWN é a queda de frames por segundo em um jogo.
Como seria uma merda tentar ir na garantia (que ia pedir pra eu mandar o notebook para a ASUS para os devidos reparos para eles me recomendarem ventilá-lo melhor), esperei um tempo. Queria adquirir experiência com o assunto e coragem para abrir um notebook, já que nunca tinha aberto um na vida.
Já em 2007, a primeira tentativa de amenizar a temperatura do inferno foi a simples limpeza das grelhas da saída de ar. A temperatura baixou, mas ainda assim estava alta. Foi então que tive a idéia de mandar Artic Silver 5 na CPU, somente. Não tinha idéia de como chegaria na GPU e nem tinha coragem ainda pra isso (quando comprarem um notebook caro e tiverem um problema grave com ele, sentirão o mesmo frio na espinha de querer abrí-lo como senti).
Foi o primeiro contato com um erro: não existia pasta térmica na CPU. Era uma massa sólida em contato com o núcleo da CPU. Essa massa sólida (pra melhorar a expressão: petrificada) nem dissipava calor para o dissipador de cobre de modo correto e, pra piorar, concentrava parte do calor. Pedra térmica trocada pela pasta térmica Artic Silver 5.
Senti uma grande diferença nisso. Os jogos não engasgavam... muito. Continuavam engasgando, mas dessa vez eu conseguia jogá-los por muito mais tempo. Mas ainda uma coisa me intrigava: como chegar na GPU? O que têm de ruim lá?
Tanto CPU como GPU hoje em dia possuem um tal de
threshold térmico. Esse nome feio nada mais é que um alarme para o componente. No caso de um notebook, temos três fases desse alarme que dependem diretamente da elevação da temperatura no local:
- Primeira fase: aumento da RPM do cooler, que consiste no aumento da velocidade do cooler em razão de uma certa temperatura;
- Segunda fase: diminuição dos clocks; que consiste na queda da freqüência da GPU e das memórias da sua placa de vídeo numa tentativa de baixar a temperatura;
- Terceira fase: desligamento dos drivers, que acaba por desligar a placa, deixando ela útil somente para o 2D (a interface gráfica do Windows, por exemplo) como uma forma emergencial de baixar a temperatura, antes que ocorram problemas mais sérios.
Comecei a monitorar de forma detalhada a temperatura da GPU. Usei o programa
GPU-Z para isso e, para o monitoramento da temperatura da CPU, o
Notebook Hardware Control. Comecei a ver que, quando jogava, a temperatura da GPU aqui chegava a mais de 90°C. Mais exatamente em 93°C e 95°C, dependendo do jogo que estava jogando na hora da mensuração.
Olhando ainda mais no fundo, vi que a temperatura de 93°C era a tal temperatura que ativava a segunda fase do
threshold térmico. Pra juntar os pontinhos da investigação, eu não conseguia jogar por causa dos
slowdowns, causados pela baixa dos clocks da placa que eram ativados por causa da alta temperatura da GPU.
Até Fevereiro de 2008 já tinha visto o ponto do problema. Mas, tentei um paliativo: a compra de um suporte de elevação do notebook. É algo indispensável hoje em dia. Vi que ele ficava mais frio quando ficava mais longe da superfície, que no caso era o plano da minha estante de madeira. A madeira é um péssimo condutor térmico e o calor concentrava no lugar de origem, gerando uma pequena estufa. Quando suspendi o notebook, o tempo para chegar ao alarme térmico aumentou, mas ainda assim continuava com altas temperaturas.
Agora, em Junho, me enfezei: ganhei Gears Of War original da namorada do Dia dos Namorados e queria jogar. Não consegui, pois toda hora aparecia um aviso que o driver da placa tinha sido desabilitado, o que acarretava na saída do jogo instantâneamente após essa mensagem. Cheguei no nível três, bicho! Quando monitorei a temperatura, estava chegando aos 100°C com a placa e, se insistisse no problema, tinha o perigo de começar a ver artefatos após algum tempo.
Criei coragem e abri o bicho. Uma dor no peito e um frio na espinha pra desmontá-lo. Você não acredita que a coisa está séria até ver o teclado do seu notebook de um lado, a placa-mãe de outro e a tela dele jogada em um canto.
Pois bem. Abri. E me deparei com a cena mais filha da puta em questão de hardware que já me deparei em todos esses anos: o dissipador da GPU com a pedra térmica e esta, com um adesivo metálico. Fora a cobertura em volta da GPU, servindo como isolante e contribuindo pra formação de uma estufa.
Vou ser sincero com vocês. A pedra térmica só saiu na base do canivete (já que não tinha um removedor digno em casa e nem álcool 96% deu conta). O trabalho no dissipador não ficou bonito, pois ficou todo arranhado pela ponta do canivete. Mas após essa correção e remoção das devidas merdas, a GPU não passa dos 80°C. Acha pouco? Foram 10ºC a menos para a GPU. É dificílimo conseguir diminuir 10°C de componente tão apertados, exceto quando você se depara com um erro tão grotesco.
A solução foi a remoção da pedra térmica, do adesivo metálico e a colocação de Artic Silver 5 na GPU. Consigo rodar TODOS os jogos numa boa, sem o menor slowdown. Como se estivesse jogando num desktop.
Esse é o alerta. Se forem comprar um notebook para jogos e ainda estiver na garantia, peça para trocarem a pasta térmica que houver nos dissipadores por Artic Silver 5 ou outra pasta térmica de sua confiança. Se não houver garantia, peça para alguém que possui o conhecimento necessário para um serviço bem feito caso você não possua a qualificação ou a experiência e ferramentas necessárias.