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A população mundial, atualmente, se aproxima dos 7 bilhões de pessoas. É gente pra caramba. Imagino como poderíamos encontrar qualquer combinação de características possível em pelo menos alguma destas pessoas.
Ora, alguns destes desconhecidos poderiam ser grandes amigos. Poderiam ser mais que isso: poderiam (para aquelas que acreditam que isso exista) até ser o romântico príncipe encantado que vai te segurar no colo e fazer carinho no cabelo até você dormir, após um jantar que ele mesmo preparou e uma comédia romântica com o John Cusack, e que vai lembrar de todos os aniversários de namoro; ou poderia ser aquela modelo da Ford Models, ninfomaníaca incontrolável e estudante de física, que sabe de cor a Enciclopédia Marvel e que adora jogar “Axis & Allies” com você quando está chovendo, só de calcinha de algodão branca, meia soquete e blusão de lã rosa com a gola deixando um ombro aparecendo, e que discute casualmente teoria das supercordas com você depois do sexo (para aqueles que acreditam que isto exista). Nestes casos, a providência divina parece ser bastante cruel em não nos apresentar estas pessoas.
O que a providência divina (que parece agir de maneira exclusivamente cruel - principalmente com indonésios e filipinos) insiste em arremessar contra nossas presenças é justamente o oposto, o que decantou no fundo do reservatório genético, aqueles seres que, contra todos os prognósticos, rastejaram miseravelmente até a existência - onde não encontrariam função ou explicação - para meramente ocupar espaço e gastar recursos, nadando contra a corrente da evolução. Um destes indesejáveis companheiros de cosmo é, todos sabem, o infame e onipresente Zé Punheta.
Ele está em toda parte, é uma figurinha facílima - principalmente na Internet. No entanto, esteja onde estiver, Zé Punheta está sempre desesperado, em estado de emergência. Do mesmo modo que o cheiro dos feromônios em uma cadela no cio incita os machos da espécie ao coito, a simples e corriqueira existência de seres do sexo feminino no mesmo plano dimensional do Zé Punheta o faz perder completamente a racionalidade, discrição ou senso do ridículo. Toda a estrutura orgânica e mental de Zé Punheta direciona quaisquer ações suas, quaisquer pensamentos, quaisquer intenções para a mesma conduta: a mendincância de sexo. Geralmente, é bom que se diga, de forma absolutamente inócua.
ZÉ PUNHETA NOS FOTOLOGS
O habitat cibernético onde Zé Punheta mais se sente à vontade para desfilar sua imbecilidade é - e não podia ser diferente - o fotolog. Zés Punhetas atulham os comentários de representantes do sexo feminino como formigas invadem o pote de açúcar aberto.
Se o fotolog é de mulher, simplesmente (para todos os efeitos, “mulher” aqui é considerada como o ser com duplo cromossomo sexual X, independente de outras características), um Zé Punheta já tem comentário pronto: “liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinda!”.
Se o fotolog é de mulher feia, o padrão mínimo aumenta para: “liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinda! Keria dar uns beijos nesta boca linda!! Se o fotolog é de mulher mediana (do latim medianus, “aquela que tem pelo menos 4 membros”), já começam as tentativas de contato: “liiiiiiiiiiiiiiiiinda! kual seu msn? oi, o meu é
zepunheta@hotmail.com! me adiciona!”
Se o fotolog é de mulher bonita, uma cortina vermelha de insanidade cobre a mente do Zé Punheta e ele começa a perder o controle de suas funções mentais. A necessidade de contato torna-se imperativa: “VC TEM MSN: TEM TELEFONE? TEM ICQ? ONDE VC MORA? QUAL SEU EMAIL? ONDE VC MORA? MEU EMAIL É
ZEPUNHETA@TERRA.COM.BR ! ME ADICIONA POR FAVOR! TEM MSN? QUAL SEU CELULAR? EI!!” Estes comentários são empilhados abaixo uns dos outros, várias vezes, em minutos, até que a resposta - ou um bloqueio - sejam arrancados da pobre moça.
Outras vezes, Zé Punheta abre seu próprio fotolog, onde tenta impressionar as fêmeas com seus, aham, “atributos” físicos. Quando isso acontece, podemos esperar aquelas populares fotos de cueca retiradas na frente do espelho do banheiro, com os braços retesados ao máximo e a barriga encolhida para ressaltar que está “malhado”. Desespero sexual em estado sólido.
A invenção do Sexlog parece ter sido para estes, depois da roda (de magnésio), a maior revolução tecnológica da humanidade.
ZÉ PUNHETA NO ORKUT
Claro, Zé Punheta que é Zé Punheta está “caçando gatinhas” - que nunca vai comer, diga-se de passagem - no orkut. Geralmente, fazem uma procura por amigos tendo como único filtro “sexo: feminino”, e adicionam todos os resultados. O passo seguinte é, obviamente, colocar todas na crush list, ficar fã de todas e mandar scraps ou testimonials dizendo “oi, que tal sermos amigos?”.
Adicionar testemunhos, mesmo sem conhecer, é outra tática. Depois vem o testimonial: “Ainda não conheço a XXXX, mas espero conhecer esta pessoa tão linda e interessante”. Qualquer coisa vale para o mendigo sexual, e nenhuma arma é baixa demais.
Outra característica irritante: entram todas as comunidades sobre sexo que conseguem encontrar, principalmente as voltadas para mulheres (tipo a “Mulheres à Procura de Sexo”, ou “Ninfomaníacas”), e cantam absolutamente todas.
Geralmente, a foto do perfil de uma ameba mamífera destas é, justamente, da única parte do seu corpo que parece ele parece reconhecer existir.
Se uma mulher, em um tópico qualquer, coloca que atualmente está solteira, que se excita vendo X ou que um dia sonha em realizar a fantasia Y, lá vão centenas de Zés Punhetas, nos próximos minutos, responderem ofegantes, à beira de um enfarto e com as mãos trêmulas, “Voluntário! Voluntário!” ou “MEADISSIONA AÍ MEU MSN É
ZEPUNHETA@HOTMAIL.COM VC TEM MSN TEM TELEFONE ME ADISSIONA AÍ POR FAVOR POR FAVOR ME LIGA MEU CELULAR É 68634598 POR FAVOOOOR!!!!!”
ZÉ PUNHETA NO CHAT
Certo dia conduzi um teste estatístico. Entrei em um certo canal de IRC, bastante lotado, cuja contagem de mulheres era muito próxima da de homens, com o apelido “mauricio_20_medicina”.
Resultado? Em quinze minutos, três janelas de chat com meninas abriram. Saí do chat, esperei alguns minutos e entrei de novo, desta vez com o apelido “michele_20_medicina”. Qual o resultado desta vez?
Nos dez segundos que seguiram ao anúncio da minha entrada no canal, doze janelas de chat abriram. Todas elas vindo, obviamente, de Zés Punhetas, que detectaram com uma velocidade que beirava a pré-cognição a presença de um nome feminino na tela e, no limite da velocidade com a qual um ser humano pode dar dois cliques de mouse, arremessaram contra minha identidade falsa seus respectivos desesperos sexuais
ZÉ PUNHETA NA RUA
O Zé Punheta de baixo nível, o Zé Punheta Offline, sem acesso à Internet, também pode exercitar seu desespero da mesma maneira que o fazia há milhões de anos - com a exceção de que, na nossa sociedade moderna, cheirar traseiros alheios de transeuntes é uma conduta não muito apreciada.
Não há problema nenhum no mero ato de, discretamente, olhar para o rosto/decote da mulher que vem em direção oposta (desde que isso não a deixe constrangida - se bem que, se ela decidiu utilizar um decote, obviamente tem a intenção de que as outras pessoas o apreciem), e depois seguir a sua vida, até porque isso qualquer um faz. Mas o onanista em questão literalmente pára tudo o que está fazendo para olhar - e não exatamente o rosto. Virando para olhar a bunda de qualquer uma que passa, este ser nefasto e pegajoso praticamente anda de costas.
Ora, virar para trás para olhar uma bunda já demonstra um nível de desespero sexual inconcebível para um ser com encéfalo desenvolvido. Geralmente, o faz para olhar uma bunda dentro de um jeans, exatamente igual à duzentas outras bundas dentro de jeans que vão passar por ele na mesma quadra.
Virar para trás, olhar a bunda, e na volta sair com uma risadinha para os desconhecidos ao seu redor é um passo além na imbecilidade. Ainda mais quando comenta uma coisa tosca ou rude com estes estranhos, tipo “nessa aí eu socava o caralho até sair pela boca”. Se o faz em volume suficiente para que a pobre vítima ouça, é pena capital.
Agora, inexplicáveis mesmo são os que param, completamente, para olhar. Interrompem suas vidas, que não deve ter muita coisa emocionante mesmo, viram para trás, riem, olham, riem, comentam, riem, fazem alguns gestos, riem, desviram e vão embora - até que, um segundo e meio depois, param de novo, pelo mesmo motivo. A maioria destes faz isso para todas, uma após a outra, não importa a cor, idade, beleza: passou, é mulher; virou, risadinha, comentou. Uma ida até a esquina é uma travessia épica de horas (confesso: às vezes eu fantasio com como seria legar ter o superpoder de teletransportar postes ou esgotos abertos, do nada, bem na frente destes caras, para que eles, quando se virassem para frente, dessem com a cara no concreto ou caíssem no buraco. Com qual prazer eu não diria “BEM FEITO!”).
ZÉ PUNHETA MOTORIZADO
Estes dias estava uma mulher de mini-saia passando na rua, na mesma direção que eu. Nem era bonita. Nem era gostosa, aliás: era daquelas mulheres que não deveriam usar roupas apertadas, pois onde apertava em um lugar transbordava no outro. E a mini-saia nem era assim tão curta. Mesmo assim, estávamos caminhando na mesma velocidade e eu andei duas quadras, mais ou menos, perto dela.
Neste meio tempo, uns trinta carros buzinaram para a moça. “Bí”, aquelas buzinadinhas curtas, rapidinhas, o equivalente automotivo sonoro a uma piscada. Uns cinco ou seis gritaram alguma indelicadeza, logo após, imediata e obrigatoriamente se vangloriando para o amigo, no banco do passageiro, do corajoso feito. Se a mulher respondesse algo não perceberiam, ocupados que estavam dando soquinhos de galinhagem no braço do outro e rindo pela máscula façanha de perturbar a paz pública com uma buzinada para uma transeunte.
O quê estes idiotas imaginam? Que vão buzinar para a mulher, e ela vai arrancar a roupa ensandecida de tesão, pular em cima deles ali e transar como se não houvesse amanhã?
Pelo que eu posso observar, fazem isso não pela mulher em si, mas pela necessidade de mostrar aos amigos que são másculos, sexualmente ativos, viris e interessados em mulher. É uma maneira inconsciente de disputar masculinidade, posição na matilha, dizer “viu, e gosto de mulher, viu? Sou normal, sou normal, sou normal, não me expusem do clubinho dos homens”. Se a maioria deles estivesse sozinha, não buzinaria.
ZÉ PUNHETA ENTRE AMIGOS
Todos os assuntos e atividades entre amigos do mesmo sexo de um Zé Punheta dizem respeito à obsessão por seres do sexo feminino, como se o mundo fosse um gigantesco filme Porky’s. Os menos frustrados dividem seu tempo entre baladas “pra pegar mulher”, madrugadas em lojas de conveniência de postos de combustível às voltas com tunning automotivo - tudo com a intenção de se exibir para “as mina”.
Já as relações do Zé Punheta com o sexo oposto, principalmente as daqueles meramente teóricos, são, no mínimo, todas encaradas unicamente como um investimento no mercado futuro. Ao entrar em um local onde vem a conhecer várias mulheres - a festa na casa de um amigo de um amigo, por exemplo - o Zé Punheta mostra-se interessado igualmente - 100% de interesse - em absolutamente todas as presentes. Faz listinhas mentais: “queria pegar aquela; se não der, esta; se não ser, esta; se não der, esta…”. Geralmente começa a execução deste plano de baixo para cima.
Toda “amiga” de um Zé Punheta é uma esperança de sexo. Por isso, ele a trata com todo o carinho, acompanhando a menina onde quer que ela vá, nunca discordando, tentando parecer sempre sensível - torcendo, secretamente, pelo seu naufrágio emocional. Nos momentos de crise sentimental dela, ele revela sua verdadeira face, oferecendo o “ombro amigo”, que, ele espera, será apenas uma escala no caminho de seu rostinho molhado de lágrimas até o trêmulo de ansiedade falo deste desesperado e faminto carniceiro sexual.